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Sexta, 09 Fevereiro 2018 15:11

O agronegócio brasileiro e a verdade sobre o uso de defensivos

Escrito por Dilceu Sperafico

Quanto mais se estuda e se sabe sobre as práticas e legislações de outros países, mais se constatam injustiças cometidas contra o agronegócio brasileiro, inclusive por pessoas e organizações que se beneficiam de seu desempenho.

Exemplo disso está na falsa imagem de que o Brasil é a nação que mais utiliza defensivos agrícolas ou agroquímicos no mundo, pois conflita com a realidade e apenas alimenta mitos e inverdades sobre a segurança dos alimentos produzidos pelo agronegócio brasileiro.

Na realidade, o uso proporcional de agroquímicos, levando em consideração a quantidade de terras cultivadas, o Brasil perde para países como Japão, Alemanha, França, Itália e Inglaterra. O Japão, conhecido como o campeão em longevidade da população, usa oito vezes mais agroquímicos do que o Brasil.

A verdade sobre a efetiva proporção da aplicação de defensivos por área cultivada entre países de todo o planeta, foi apontada por estudo da Universidade Estadual Paulista em Botucatu (Unesp).

O resultado do levantamento foi apresentado no final do ano passado, no Fórum “Diálogo: Desafio 2050 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, realizado em São Paulo e promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).

Na oportunidade, o professor Cio Carbonari, um dos autores da pesquisa, destacou que afirmar que o agronegócio brasileiro é campeão mundial no uso de agrotóxicos trata-se avaliação simplista e irresponsável.

Conforme o especialista, apesar de utilizar maior volume de defensivos, em função da dimensão territorial e extensão de plantações, o Brasil está distante da liderança desse ranking.

Na verdade, está em 7º lugar na proporção de uso de defensivos pela quantidade de terras cultivadas, ficando atrás de outros seis países. Se a análise for feita pelo volume de alimentos produzidos, o Brasil cai para 11º no ranking, ficando atrás de nações como Estados Unidos, Argentina, Austrália e Espanha.

Conforme especialistas, os produtores rurais brasileiros têm sido muito eficientes no uso da terra e dos insumos e essa sustentabilidade só foi possível graças à ciência e os agroquímicos. Isso demonstra que a imagem que se criou do consumo de agrotóxicos no Brasil está desconectada da realidade.

Na prática, conforme o estudo, a situação do Japão é emblemática, pois na proporção de área cultivada, utiliza oito vezes mais agroquímicos do que o Brasil, mas não se pode dizer que os alimentos produzidos naquele país estejam contaminados ou prejudicando a saúde das pessoas, pois se sabe da qualidade de vida e da longevidade dos japoneses.

Segundo dados de 2016 da Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa média de vida da população japonesa era de 83,7 anos, a mais alta do planeta. No Brasil, a média era de 75 anos.

A pesquisa da Unesp Botucatu levou em conta os riscos de agroquímicos, incluindo ação na planta, degradação do solo e possíveis riscos de contaminação da água, alimentos e do próprio ser humano.

O levantamento analisou lavouras de soja, milho, algodão e cana de açúcar entre os anos de 2002 e 2015. Em todos os principais quesitos, foi comprovada redução significativa de riscos. Para o trabalhador rural, diminuiu 54,2%, enquanto para o consumidor a queda foi de 37% e para o meio ambiente de 33%.

O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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