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Sexta, 10 Novembro 2017 18:10

A origem e a verdadeira dimensão da crise brasileira

Escrito por Dilceu Sperafico

Os cidadãos brasileiros que tanto reclamam da atual crise econômica, social e moral do País, criticam e contestam a gestão do presidente Michel Temer e se dizem oposicionistas do atual governo, precisam, com urgência, consultar sua memória e/ou buscar informações elementares sobre o desempenho do poder público federal, ao longo dos últimos anos.

Bem antes do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff e da posse do então vice-presidente escolhido por ela e eleito democraticamente em sua chapa, em 31 de agosto de 2016, o País já enfrentava dificuldades, em muitos casos, ainda maiores ou mais graves do que os desafios da atualidade.
Conforme relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a então já grave crise econômica havia levado 4,1 milhões de brasileiros à pobreza e 1,4 milhão à extrema pobreza, de 2014 para 2015.

Com isso, a parcela da população brasileira considerada pobre que vinha sendo reduzida desde 2011 e estava em 8,10% em 2014, cresceu para 9,96% em 2015. Já o percentual das pessoas consideradas extremamente pobres subiu de 3,01% para 3,63%, no mesmo período.

Conforme os especialistas do Ipea, em 2010 ingressavam na faixa de pobreza as pessoas com renda domiciliar per capita inferior a 127,50 reais mensais. O valor era equivalente a um quarto do salário mínimo vigente na época, de 510 reais, conforme o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da época.

A faixa de extrema pobreza abrangia os brasileiros com renda domiciliar per capita abaixo de 70 reais mensais, também em 2010.

Além disso, também subiu de 22,1% em 2014 para 24,3% em 2015 a parcela de brasileiros considerados vulneráveis à pobreza ou com renda mensal per capta inferior à metade do salário mínimo.

A renda média dos brasileiros apresentava esse mesmo comportamento no período de 2014 e 2015, caindo de 803,36 reais para 746,84 reais mensais e registrando a primeira queda desde 2011.

Vale também analisar informações do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), elaborado pelo Ipea em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Fundação João Pinheiro, tendo por finalidade atualizar os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano, divulgado a cada 10 anos pelo IBGE.

Conforme o documento, a renda per capita dos brasileiros que somava 751,68 reais em 2012, subiu para 777,56 reais em 2013, atingiu 803,36 reais em 2014 e caiu para 746,84 reais em 2015.

Além disso, o IDHM, que vinha crescendo desde 2011, ficou estagnado em 2014 para 2015, apesar da melhora em longevidade e educação, de parcela da população brasileira. O item de longevidade subiu de 0,836 em 2014 para 0,841 em 2015, o de educação cresceu de 0,706 para 0,713, mas o da renda caiu de 0,741 para 0,729.

No campo de longevidade, a esperança de vida do brasileiro subiu de 75,1 anos para 75,4 anos, enquanto a taxa de mortalidade infantil caiu de 14,4 para 13,8 a cada mil nascidos vivos. Na educação, a parcela de brasileiros de 18 a 20 anos com ensino superior completo foi de 52% para 52,5% de 2014 para 2015.
De 2014 para 2015, o Produto Interno Bruto (PIB), do Brasil, que é a soma das riquezas produzidas pelo País, caiu 3,8% e foi o pior desempenho da economia brasileira nos últimos 25 anos, o que alerta para a necessidade das políticas públicas voltadas ao crescimento do emprego e da renda, o que depende de reformas e seriedade na gestão pública.

*O autor é deputado federal pelo Paraná
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