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Sexta, 27 Outubro 2017 13:30

A alternativa de geração de energia nos canos de água potável

Escrito por Dilceu Sperafico

Está cada vez mais desafiador para o cidadão acompanhar a evolução da tecnologia e se adaptar às novidades do mundo moderno. Mesmo nas cidades brasileiras onde continua o lançamento de esgoto doméstico sem tratamento nos cursos d’água, há progressos alentadores.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por exemplo, acaba de anunciar a instalação de mini-hidrelétricas no sistema de distribuição de água para a população, gerando energia elétrica mais barata para os seus próprios equipamentos, o que pode reduzir a conta para os consumidores.

A empresa, pelo que se sabe, quer aproveitar a pressão hidráulica dos canos de água para gerar energia na Região Metropolitana de São Paulo, onde sua conta de eletricidade chega 500 milhões de reais por ano.

Para isso, a Sabesp planeja instalar mini-hidrelétricas em 200 pontos do sistema de saneamento da cidade. A energia gerada será então repassada à Eletropaulo, que em troca oferecerá abatimento de 3,2% da conta anual da Sabesp ou cerca de 16 milhões de reais.

A empresa utiliza energia principalmente em estações de tratamento e no bombeamento da água tratada dos reservatórios para residências, prédios e estabelecimentos empresariais. Após a aprovação da idéia, as duas empresas buscam agora investidor do mercado de energia para financiar o projeto.

Conforme dirigentes da Sabesp, o negócio da empresa não é a geração de energia, mas não se pode ignorar a possibilidade de formação de parceria com alguma empresa do setor, para a produção de eletricidade mais barata e redução de custos de suas atividades, com benefícios para toda a população.

Para avançar na proposta, a empresa já está montando unidade piloto em Barueri, na Grande São Paulo, com início de funcionamento previsto para o início de 2018.

A fornecedora do equipamento, com custo aproximado de 200 mil reais, é empresa alemã, que já participou de projetos de mini-hidrelétricas em sistemas de saneamento na Europa.

Além disso, nos Estados Unidos, há dois anos, foi instalado equipamento semelhante em canos do sistema de saneamento da cidade de Portland, com resultados animadores.

No Brasil, por enquanto, a iniciativa da Sabesp é inédita e se tornou possível após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), editar resolução permitindo a instalação de sistemas alternativos de geração de geração de energia, sem necessidade de autorização expressa do órgão.

Somente no caso de Barueri, onde a Sabesp espera economizar 300 mil reais na conta de eletricidade por ano, gerando energia suficiente para atender o consumo de 450 casas com três moradores cada uma, o que aumenta a perspectiva de aproveitamento do projeto em cidades de todo o País, com amplos benefícios para a população urbana.

A geração de energia a partir de sistemas de distribuição de água potável é viável porque, ao entrar em reservatórios ou estações de tratamento, o volume conduzido muitas vezes atinge pressão elevada, que pode produzir eletricidade em turbinas, utilizando a mesma tecnologia de hidrelétricas convencionais, embora em pequena escala.

Em São Paulo, com os 200 pontos iniciais, deverão ser gerados 28 mil MWh anuais, pois a Aneel permite a produção de energia de até 75 kW, desde que seja de fonte renovável ou sustentável, respeitando também as regras para a compensação de energia elétrica, o que é possível para todas as empresas do ramo.

*O autor é deputado federal pelo Paraná
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